Amor e inocência 2007

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Sou apaixonada pela Jane Austen e sua obra, perceptível, eu sei. Para quem não leu nada da Austen, indico todos, iniciando pelo meu preferido, Orgulho e Preconceito. Futuramente farei postagens sobre suas obras e as adaptações, para isso criarei uma categoria própria para minha diva.

De início, indico o filme AMOR E INOCÊNCIA, baseado na vida da escritora. Já assistiram? É maravilhoso! Fui arrebatada pela saudade dos livros que já li dela e dos personagens marcantes e que sempre serão inesquecíveis para mim.

Ao longo das cenas verificamos diversos elementos presentes em suas obras, mas claro que vale ponderar o quanto essas obras influenciaram na construção do roteiro, mas também devemos pensar como toda a vida da Jane influenciou em seus livros, o que é notório em muitos escritores clássicos. Podemos entender muito mais de seus romances, dos problemas e sofrimentos pelos quais passam suas personagens e pela presença constante dos finais felizes, felicidade essa que ela e sua irmã Cassandra não encontraram em suas vidas reias, pelo menos em relação ao casamento, o que se pensarmos claramente era o objetivo principalmente de qualquer mulher naquela época (o que muitas vezes me faz agradecer pela época em que nascemos...rsrs).

 Sou apaixonada pela narrativa da Jane Austen, seus diálogos tão inteligentes, irônicos e atemporais, apesar do contexto completamente diferente do nosso. Seus personagens fortes e apaixonantes.

Todos deveriam ler Jane Austen. Como comentei certa vez com uma amiga, Orgulho e preconceito é um livro que quero ler em todas as minhas vidas, se existirem ou não, quem sabe? Por favor, lembrem-me.

Filme super indicado!

Como eu era antes de você - Jojo Moyes

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Sinto como se tivesse encontrado uma pedra preciosa andando pela calçada, bem, andando pela livraria. Nunca tinha lido nada dessa autora, nem sabia quais seus outros livros, mas o título me chamou atenção “Como eu era antes de você” e resolvi ler a sinopse, só li até a metade e decidi, tinha que lê-lo. Assim que terminei R&S comecei imediatamente, passando por cima de todos os outros 40 que já estavam me esperando, sentia que ia ser uma leitura ótima e não me enganei.

Louisa tem 26 anos, namorava há 7 anos com Patrik, trabalhava há 6 anos como garçonete, então o café onde trabalhava fechou e teve que ir em busca de novo emprego, pois com os pais desempregados, a irmã mais nova na universidade com um filho pequeno, sobrava para si a responsabilidade de colocar dinheiro em casa. Diante de várias possibilidades, resolveu pegar um contrato de 6 meses como cuidadora de um tetraplégico. Estava com medo do trabalho, mas fazer o quê? Era um ótimo salário e todos dependiam dela. 

Will, 35 anos, empresário, atleta, adorava esportes radicais, adorava viver, até que sofreu um acidente e fica tetraplégico, se tornando um homem malvado, depressivo, mal humorado, e convenhamos, a situação é horrível, você se comportaria diferente? Ele simplesmente não vê mais alegria em viver, desistiu de tudo, não queria mais continuar nesse sofrimento, até que Louise aparece e vai tentar de todas as maneiras mostrar que a vida ainda é bela e que ainda faz sentido viver.

É um livro lindo, não é uma estória fácil, dói, você se coloca no lugar de Will, quem ele era e agora tetraplégico, sem nenhuma chance de melhora, ao passo que você se coloca no lugar de Lou e dos pais dele, sofre também, não vou negar, mas é uma estória LINDA por isso mesmo, pelo realismo, sensibilidade, descobertas, pelas simples coisas da vida que você volta a amar. Não se engane, Louisa também muda muito com o Will, aliás, não só ela, você acaba mudando também.

Têm livros que você não esquece a estória, mesmo com muitos anos você recorda dos sentimentos dele e têm outros que você não esquece os personagens, são marcantes, eles vivem em algum lugar, dentro da sua mente, já li alguns assim e esse é um deles, Will e Lou vão ficar marcados na minha mente para sempre.


“Apenas viva!” Will.

Por que leio

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Maria Sena 
Servidora pública, formada em direito, apaixonada por livros (um carinho especial por Jane Austen, amo Mr. Darcy, é perceptível), filmes, séries, música, chocolate, viagens e trabalho (amo meu trabalho). Não dispenso uma boa conversa, principalmente sobre livros.  Meus sonhos são: escrever um livro, doar um órgão (salvar uma vida), viajar para Paris, Itália e Inglaterra, saltar de asa delta (ainda esse ano... rsrs), completar uma maratona, influenciar o máximo de pessoas pelo amor da leitura e ter três filhos, todos apaixonados por livros, claro! Essa sou eu, Maria Sena, Mrs. Darcy!

Leio porque posso está no conforto do meu quarto, em um ônibus ou numa sala de espera, mas em minha mente estou vivendo as mais emocionantes aventuras, suspenses de tirar o fôlego, romances lindos, dramas marcantes; estou conhecendo pessoas incríveis, fortes, inteligentes, loucas, fantásticas; sentindo emoções que nunca poderia ter imaginado: amando, odiando, torcendo, chorando e etc; visito lugares distantes, nunca antes imaginados, mas que não deixam de ser reais em minha mente. Posso ser mais do que simplesmente sou, posso ser várias em uma só.

No início foi um meio de fuga da minha vida simples, sem grandes acontecimentos, e de mim mesma, uma menina tímida, sem muitos recursos e amigos. Foi uma grande descoberta, saber que poderia ir além de minha mediocridade, que poderia estar em outros lugares, ser e ter outras pessoas em um mundo totalmente novo, somando tudo isso a minha enorme capacidade de imaginação. 

Hoje faço isso não mais como uma fuga de minha vida real, mas porque quero me permitir esse algo a mais, que consigo sentada em minha cama com meu livro, a ponte para esse mundo mágico.

No limite da atração - Katie McGarry

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Confesso que às vezes me deixo levar pela capa e o título de um livro, quando vi “No limite da atração” já afastei para segundo plano, pensei que era mais um desses livros de colegial, muitos hormônios, intrigas de adolescentes, disputas por popularidade e etc... uuui...rsrs, mas fazendo meu tour pelos blogs literários, buscando novos livros para aumentar minha listinha de desejados, só encontrei ótimos comentários sobre ele, então, em uma dessas promoções da vida comprei e aí está o único defeito do livro, deveria trazer na capa o quanto é bom, bom não, o quanto é emocionante, lindo! Já teria lido há muito tempo, mas... (eu e minha mania boba).

Noah tem 17 anos, está no último ano do colegial/ensino médio, há dois anos seus pais morreram em um incêndio, onde ele conseguiu salvar os dois irmãos mais novos. Após o acidente ele passou por vários lares adotivos e devido a seu mau comportamento (bebidas, brigas, farras e etc) foi proibido de ver seus irmãos, que estão em outro lar adotivo. Ele busca lidar com a dor da sua maneira errada e tudo o que quer é ter sua família de volta, adotando seus irmãos após completar 18 anos. 

Echo, também com 17 anos, há dois anos foi atacada por sua mãe, bipolar, porém, devido o trauma, não se lembra do que ocorreu naquele dia. Seu pai, terapeuta, ninguém revela os fatos. E isso depois de perder o irmão mais velho no Afeganistão. 

Mesmo de mundos diferentes, eles se encontram, unidos por suas dores, mas justamente por causa delas não conseguem ficar juntos, como encaixar outra pessoa na confusão que são suas vidas, o que restou delas? A estória nos mostra que nossas escolhas, muitas vezes uma atitude simples, podem gerar grandes consequências, sequelas profundas e por vezes incuráveis; que por mais que você sofra por essas escolhas, relembre aquele momento decisivo a cada dia, se martirizando, suas cicatrizes não vão desaparecer, o presente não mudará, sua vida como conheceu não existi mais, as marcas sempre estarão lá como prova, mas é uma prova de que você é uma sobrevivente e que lhe foi concedida uma nova chance, um novo futuro.

E são tantas descobertas, tantos sentimentos, uma jornada emocionante, só lendo para sentir e aprender com eles.
No final do livro a autora coloca um playlist de músicas que inspiraram a composição dos personagens, de determinadas cenas e do que acontece após o final do livro, ela escreve “Se você quer saber o que aconteceu entre eles no ... é só escutar essa música.” Eu ouço e vejo Echo e Noah. 


“Tudo o que precisamos é de amor”.

Longa estrada

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Participei, mês passado, de uma conversa cultural, na casa de cultura da cidade do meu namorado, onde os dois entrevistados eram filhos da terra que, devido seu esforço, estudos e talento, conseguiram se destacar nacional e mundialmente em suas respectivas áreas.

Ouvindo atentamente e com grande admiração, pois adoro escutar bons exemplos de superação, cheguei à conclusão que nós somos muito imediatistas, desejamos tudo para ontem, conquistas, realizações profissionais, etc. Quando nos deparamos com nossas derrotas, sofremos e questionamos nossa sorte e futuro. 

Isso tudo faz parte de um processo demorado, com muitos obstáculos, algumas derrotas, mas com vitórias certas no final do caminho, para aqueles que se mantém firmes até o fim. Para isso, paciência, persistência e coragem são ingredientes fundamentais. 

Quantos sonhos são deixados pelo meio do caminho? Quantos sonhos são substituídos por outros razoavelmente mais fáceis? Quantas pessoas nunca sentiram o gosto delicioso de se testar, de enfrentar um desafio e sair vitorioso? É indescritível, mas cuidado, vicia, depois disso você quer ir além.


Entendi que fazendo o que você ama, a felicidade é consequência e por fim vem o reconhecimento. Busque sentir-se bem, realizado e feliz, não importa em que área, o importante é SUA felicidade, e a de quem você ama, que no meu caso, faz parte da MINHA felicidade. Feito isso, os demais detalhes encontrarão seu devido lugar.

A chave de Sarah - Tatiana de Rosnay

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       A Chave de Sarah é um livro maravilhoso, triste como todos que tratam sobre o tema do holocausto, mas que sempre atraem meu interesse. 

A narrativa alterna os capítulos entre o passado, 1942, relatando a estória de Sarah, criança francesa de 11 anos, que é presa com seus pais judeus durante a batida policial de Ve’ d’Hiv”; e o presente, com Julia, jornalista americana de 45 anos, residente em Paris, que foi designada para pesquisar e produzir uma reportagem sobre o aniversário desse terrível acontecimento, onde em apenas um dia, 13 mil judeus foram presos pelos policiais franceses, que extrapolando as ordens dos alemães prenderam também as crianças de nacionalidade francesa, mais de 3.000 crianças, exterminados posteriormente em Auschwitz. 

A partir de uma descoberta de Julia, que resolve investigar o desfecho da menina Sarah, o passado e presente vão se interligando, segredos são revelados, remorso, laços rompidos e outros construídos onde menos se esperava, além da triste realidade de um período sombrio na humanidade. Aos poucos vamos descobrindo o segredo da chave de Sarah. 

É uma estória comovente, marcante, baseada nesse acontecimento tenebroso ocorrido em Paris e que muitos franceses tentaram encobrir e que faz parte do terror maior que foi a perseguição dos judeus durante a segunda guerra mundial. 

Emoção do início ao fim, mas o que é um bom livro se não consegui te envolver, mexer com seus sentimentos, fazer rir e chorar? 

           Recomendo!   



Saudações.

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Olá amigos, meu blog é novinho, então estará em fase de organização durante um tempo. Esse espaço será reservado para conversas sobre livros, filmes, músicas e motivação. Apesar de não ter concluído todos os ajustes, deixo para vocês um texto lindo, que amoooo e quero compartilhar. Beijos e até a próxima!

"Namora uma mulher que lê. Namora uma mulher que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma mulher que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos.

Encontra uma mulher que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.

Ela é a mulher que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das mulheres que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.

Oferece-lhe outra chávena de café com leite.

Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar com uma mulher que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.

Ela tem de arriscar, de alguma maneira.

Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.

Desilude-a. Porque uma mulher que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.

Porquê assustares-te com tudo o que não és? As mulheres que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.

Se encontrares uma mulher que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.

Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.

Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.

Namora uma mulher que lê, porque tu mereces. Mereces uma mulher que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma mulher que lê.

Ou, melhor ainda, namora uma mulher que escreve."


Texto de Rosemary Urquico.
Pintura  Daniel F. Gerhartz.